segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O mundo mudou, mister Brown
O primeiro ministro britânico Gordon Brown afirmou durante o foro de Davos, realizado recentemente, que o mundo caminha para uma era de ‘desglobalização’. Talvez seja difícil pra muita gente explicar o que os países mais ricos pensam sobre a globalização e os benefícios que ela gerou.
É certo que a globalização, ao que tudo indica, não favoreceu nenhum pouco os países ricos do G8, ao derrubar as fronteiras e trazer à tona debates frutíferos para a maioria dos países e com certeza infrutíferos para os ricos, como a quebra de barreiras comerciais e o fim do protecionismo de mercado.
A globalização abriu a economia dos países e fez com que o dinheiro não tivesse mais pátria. Ora o investidor jogava seus dólares e euros em economias de países emergentes atrás de taxas de juros mais convidativas, ora mantinha-se no conservadorismo de mercados mais cautelosos.
Sem dúvida alguma quem mais ganhou com esta nova onda foram os países em desenvolvimento, em especial a Índia, a China e o Brasil, entre outros. A globalização, ao contrário, levou vários países à bancarrota. Não é à toa que Estados Unidos, Inglaterra e França vivem uma crise sem precedentes desde 1929.
Gordon Brown talvez esteja pensando que ‘desglobalizar’ seja o caminho para que os países ricos retomem a sua hegemonia econômica tão combalida desde a crise que eclodiu no hemisfério norte.
Mas é tarde pensar que é possível retomar um caminho antigo que já não existe mais. Queiram ou não, estamos vivendo uma nova ordem econômica mundial. China, Índia e Brasil passam a ser respeitados como potências e o valor não apenas de seu potencial de consumo interno, mas de seu potencial de produção de tecnologia, hão de ser vistos pelo mundo com um outro olhar.
O mundo mudou, mister Brown, e agora não se imagina mais voltar atrás. Ou os países ricos se preparam ou vão ser engolidos pela nova ordem mundial.

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