sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
POLITICA E FEIURA

Vale a pena ler este artigo publicado no Estadão pelo professor de Filosofia da USP José de Souza Martins. Uma pérola!
É mais que saúde ou feiura
Tanto no Serra feio de Ciro quanto na belezura da Dilma pós-doença, os sobressignificados políticos ultrapassam a vã fotografia
José de Souza Martins* - O Estado de S.Paulo
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- A inclusão da feiura na agenda negativa da campanha para as eleições presidenciais de 2010, pelo pré-candidato Ciro Gomes, é dos fatos mais interessantes e mais significativos do cenário de nossa decadência política. Com a contrapartida da beleza, como indício de competência, entrou também, nestes dias, o item da saúde no rol dos atributos meritórios da política como contrapartida negativa da doença. A pré-candidata Dilma Rousseff informou que está curada do câncer diagnosticado há algum tempo. Numa das fotografias do noticiário, a poderosa "mãe do PAC" apresenta-se sorridente e saudável. A foto contém mais do que o indício visual dessa cura: a ministra curou-se, também, da carranca de guerrilheira que ameaçava suas chances de chegar à Presidência. Tanto na feiura apontada em José Serra pelo pré-candidato cearense quanto na belezura ostentada pela gaúcha Dilma Rousseff, temos as indicações de que o retrato será o grande candidato nas eleições do ano que vem.
A ocultação de estigmas físicos e de caráter de políticos e candidatos não é novidade. A fotografia atenuou a paraplegia de Franklin D. Roosevelt num momento em que sua plena visibilidade teria sido politicamente desastrosa para os EUA. Antes disso, o retrato a óleo já cumpria essa função na política. O jovem d. Pedro II, quando viu a noiva desembarcar do navio que a trouxera da Sicília, chorou e comentou com quem estava ao seu lado: não sei se vou conseguir. Ele havia sido enganado por um retrato, para que a monarquia tivesse filhos e herdeiro. A fotografia tornou-se instrumento poderoso do caráter cada vez mais teatral da política. Mas, ela é polissêmica, revestida de múltiplos e contraditórios significados.
Em fotografia há o que se chama de aura, o sobressignificado que propõe a interpretação da imagem, particularmente do retrato, a partir de detalhes circunstanciais e até mesmo não visuais. Gandhi era feio, muito magro e meio gambeta. Em seus retratos ninguém vê isso, mas vê a imensa beleza de sua figura humana devotada à paz, ao próximo e à emancipação política da Índia. A foto que Margaret Bourke-White dele fez, em 1946, esquálido e careca, fiando, ao lado da roca que se tornaria o símbolo da Índia independente, certamente não o tornaria uma figura do apreço do candidato Ciro Gomes. O Getúlio Vargas do Estado Novo e da ditadura tinha sua fotografia exibida em todas as repartições públicas do País, por meio dela anunciada a onipresença do chefe da Nação. Seu retrato o apresentava revestido da aura do poder. Quem via o retrato não via o homem baixo, gordo e ditatorial, via o poder. A fotografia oficial procurava forjar uma consciência popular da nacionalidade que responde até hoje por uma cultura do retrato que deforma nossa consciência republicana.
Há uma dialética na polissemia do retrato, tanto no real, como o de Dilma, quanto no fictício, como o que de Serra fez Ciro Gomes. No inevitável contraponto de Lula, na moldura do poder, Dilma parece pequena e descabida. A doença é o pretexto imaginário dessa imperfeição. Ciro, por outro lado, ao pretender criar uma imagem, criou um espelho. Fez com que se notasse que tem "cara de chupa-ovo", como ouvi de alguém, pelos gestos faciais que faz quando fala, a boca tendendo para a forma da dos que têm o hábito de chupar diretamente da casca o ovo cru, fortificante e afrodisíaco popular dos que estão em convalescença. É nesse jogo de contrários que o retrato se compõe com os parâmetros de sua interpretação, como uma coisa só. Os dois casos são expressões do efeito bumerangue da comunicação imperfeita, porque ocultadora e enganadora, as imperfeições dos bastidores invadindo o palco da encenação política.
Há aí os circunstantes visíveis e os circunstantes invisíveis. Na leitura do retrato de Dilma o que vai dizer se ela está bem de saúde política é a saúde do vice-presidente José Alencar, pois a saúde que importa é a saúde da instituição. Na subliminaridade da comunicação, Alencar é hoje o que Dilma corre o risco de ser amanhã. As constantes viagens de Lula ao exterior dão a Alencar a visibilidade de um homem frequentemente hospitalizado, a República sob o risco de estar sendo governada por alguém diminuído em sua capacidade de decidir. No otimista retrato de Dilma, o que se vê é a doença de Alencar. Mas se vê, também, a agonia de Tancredo, o bloqueio da esperança na sucessão sem carisma.
Na maldade do retrato que Ciro Gomes criou para destroçar o corpo e a alma do adversário, como nos tempos da Inquisição, já operam as circunstâncias e os circunstantes inevitáveis na rede de condutas que trazem à memória do povo outras maldades. De um lado, calou fundo sua teima no desvio das águas do Rio São Francisco para perenizar rios temporários do Nordeste seco: tirar o sangue de um moribundo para supostamente dar vida aos mortos. De outro lado, a vítima poderosamente simbólica dessa truculência política, d. Cappio, o paulista que é bispo de Barra, na Bahia, com sua greve de fome contra a violência ambiental e social, fez a decisão de Ciro e do governo Lula incidir, violando-o, sobre o sagrado tema da vida da teologia católica, revelou na decisão política a feiura de um pecado.
Na polissemia das imagens, reais ou imaginadas é necessário levar em conta as funções desconstrutoras do inesperado e do indesejável. Uma ação judicial contra este jornal proíbe no noticiário sobre atos que têm merecido o repúdio da opinião pública a menção ao nome do filho do presidente do Senado. Forma de dar um retoque cidadão num retrato que é expressão típico-ideal da dominação patrimonial. A trama oligárquica desses arcaísmos do poder aparece justamente numa foto em que estão juntos os vários que compõem essa forma anômala da concepção do mandato na nossa opção republicana, até mesmo o juiz. Quanto mais a censura permanece, mais revela o caráter do censor, mais o censor nela se retrata. A República do retrato retocado expõe-se na corrosiva imagem invertida do negativo.
*Professor emérito da Faculdade de Filosofia da USP
terça-feira, 9 de junho de 2009
A agenda para o governo de Minas
Enquanto as articulações políticas se voltam para a disputa interna no PSDB, com José Serra fazendo cena e Aécio tentando emplacar sua candidatura, a agenda para o governo de Minas parece deixada em segundo plano, menos para o PT, que já está realizando discussões em torno das candidaturas do ministro Patrus Ananias e do ex-prefeito Fernando Pimentel.
Ao que tudo indica, o governador Aécio Neves trabalha para emplacar a candidatura de seu vice, Antonio Anastasia, colocando seu projeto pessoal acima de qualquer pretensão de outros candidatos dentro da base aliada.
No PMDB, o ministro Hélio Costa é o nome forte para o governo de Minas. Costa, no entanto, parece preferir aguardar o cenário que será definido caso Aécio seja candidato à Presidência antes de sair a campo.
A agenda para a disputa ao Palácio da Liberdade parece depender cada vez mais do caminho a ser tomado pelo governador Aécio Neves, o que é natural. Mas a grande disputa, por enquanto, deve ser interna, no PT, com dois grupos se digladiando, repetindo aquilo que ocorreu quando Márcio Lacerda saiu candidato numa união estranha entre PSDB e PT.
Ao que tudo indica, o governador Aécio Neves trabalha para emplacar a candidatura de seu vice, Antonio Anastasia, colocando seu projeto pessoal acima de qualquer pretensão de outros candidatos dentro da base aliada.
No PMDB, o ministro Hélio Costa é o nome forte para o governo de Minas. Costa, no entanto, parece preferir aguardar o cenário que será definido caso Aécio seja candidato à Presidência antes de sair a campo.
A agenda para a disputa ao Palácio da Liberdade parece depender cada vez mais do caminho a ser tomado pelo governador Aécio Neves, o que é natural. Mas a grande disputa, por enquanto, deve ser interna, no PT, com dois grupos se digladiando, repetindo aquilo que ocorreu quando Márcio Lacerda saiu candidato numa união estranha entre PSDB e PT.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
E se Aécio não for candidato?
Corre a boca pequena nos corredores do Palácio, e não é de hoje, que os articuladores políticos de Aécio - e o próprio governador - já têm um plano B para o caso de a sua candidatura ao Planalto não vingar.
O próprio pai de Aécio, o ex-deputado federal Aécio Cunha - já confidenciou a amigos que preferia ver o filho disputando o Senado agora, e não a Presidência. Argumenta que Aécio ainda é novo e pode deixar a pretensão de chegar ao Planalto para outra oportunidade.
Aécio, como é de seu estilo, vai resistir enquanto puder, mas ainda não descartou por completo a possibilidade. O projeto deste plano B seria Aécio se eleger senador por Minas Gerais e, chegando ao Congresso, eleger-se presidente do Senado, ocupando assim o segundo cargo mais importante do país, ponto de partida para seu grande projeto de chegar ao posto hoje ocupado pelo presidente Lula.
O próprio pai de Aécio, o ex-deputado federal Aécio Cunha - já confidenciou a amigos que preferia ver o filho disputando o Senado agora, e não a Presidência. Argumenta que Aécio ainda é novo e pode deixar a pretensão de chegar ao Planalto para outra oportunidade.
Aécio, como é de seu estilo, vai resistir enquanto puder, mas ainda não descartou por completo a possibilidade. O projeto deste plano B seria Aécio se eleger senador por Minas Gerais e, chegando ao Congresso, eleger-se presidente do Senado, ocupando assim o segundo cargo mais importante do país, ponto de partida para seu grande projeto de chegar ao posto hoje ocupado pelo presidente Lula.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Feriado da Inconfidência,
venha desfrutar com a gente
A Pousada Barriga da Lua preparou um pacote especial para o feriado de 21 de abril, com entrada na sexta à noite ou sábado e saída na terça no final da tarde. O pacote inclui café da manhã e almoço e sai por R$792,00 o casal.
Venha desfrutar deste paraíso. Se quiser saber mais sobre a pousada acesse nosso site http://www.barrigadalua.com.br/.
Ao lado a foto de um de nossos pratos campeões. a Moqueca Barriga da Lua, preparada com apetitosas postas de surubim.
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Protógenes, grampeador geral da República
Protógenes, grampeador
geral da República
As revelações contundentes da Revista Veja neste final de semana revelam o que muita já sabia. Que a PF agia à solta com apoio da Abin para grampear quem fosse preciso formando um poderoso banco de dados para incriminar políticos de todas as esferas, seja do governo ou da oposição.
Protógenes transformou-se no grampeador geral da República, mas é difícil imaginar que ele agia sozinho. Pelo conteúdo revelado por Veja e em mãos da própria Polícia Federal, o delegado tinha munição pesada para derrubar muitos figurões da política.
Mas quem estaria por trás de Protógenes? O governo Lula agora terá que se esforçar para passar a limpo esta história e descobrir quais os interesses estão por trás desta máfia.
geral da República
As revelações contundentes da Revista Veja neste final de semana revelam o que muita já sabia. Que a PF agia à solta com apoio da Abin para grampear quem fosse preciso formando um poderoso banco de dados para incriminar políticos de todas as esferas, seja do governo ou da oposição.
Protógenes transformou-se no grampeador geral da República, mas é difícil imaginar que ele agia sozinho. Pelo conteúdo revelado por Veja e em mãos da própria Polícia Federal, o delegado tinha munição pesada para derrubar muitos figurões da política.
Mas quem estaria por trás de Protógenes? O governo Lula agora terá que se esforçar para passar a limpo esta história e descobrir quais os interesses estão por trás desta máfia.
sexta-feira, 6 de março de 2009
A velha política do PFL
O Democratas levou ontem ao ar vários vários vt’s do seu programa partidário na TV esquecendo-se de que a máxima de que atacar simplesmente não funciona mais junto ao esclarecido eleitorado brasileiro.
Sem fundamentação, os ataques do partido ao governo do presidente Lula soaram totalmente inconsistentes e mostraram que o DEM é uma legenda que ainda não encontrou seu discurso.
Dizer que o presidente Lula está levando o país ao desastre econômico porque não soube ajustar o país aos reflexos da crise econômica global foi a estratégia do Democratas no programa. Mas nem o eleitor mais desinformado conseguiu entender desta forma. Faltou lógica, coerência nos ataques e mais pareceu uma oposição por oposição.
Com certeza não será este o discurso que irá prevalecer na próxima campanha eleitoral. O eleitor brasileiro hoje quer discutir o futuro do país, seja ele com o PT do presidente Lula e seus aliados ou não, mas com base em proposições para que o país continue avançando.
O ataque vazio tem efeito contrário na atual política brasileira e o DEM parece não ter aprendido a lição nos últimos pleitos. Desta forma, vai continuar sendo um partido sem expressão política e longe de maiores pretensões no quadro político nacional.
Sem fundamentação, os ataques do partido ao governo do presidente Lula soaram totalmente inconsistentes e mostraram que o DEM é uma legenda que ainda não encontrou seu discurso.
Dizer que o presidente Lula está levando o país ao desastre econômico porque não soube ajustar o país aos reflexos da crise econômica global foi a estratégia do Democratas no programa. Mas nem o eleitor mais desinformado conseguiu entender desta forma. Faltou lógica, coerência nos ataques e mais pareceu uma oposição por oposição.
Com certeza não será este o discurso que irá prevalecer na próxima campanha eleitoral. O eleitor brasileiro hoje quer discutir o futuro do país, seja ele com o PT do presidente Lula e seus aliados ou não, mas com base em proposições para que o país continue avançando.
O ataque vazio tem efeito contrário na atual política brasileira e o DEM parece não ter aprendido a lição nos últimos pleitos. Desta forma, vai continuar sendo um partido sem expressão política e longe de maiores pretensões no quadro político nacional.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Aécio e as prévias do PSDB
Pré-candidato declarado à Presidência, o governador Aécio Neves joga todas as suas fichas na realização de prévias internas no PSDB para obter o apoio que precisa internamente entre os tucanos para consagrar-se como candidato à sucessão do presidente Lula. Mas a realização de prévias não é uma garantia de que Aécio será o candidato do PSDB.
A decisão do governador de São Paulo, José Serra, de aceitar a realização de prévias, é um sinal de que o quadro, mesmo internamente no PSDB, está totalmente indefinido. Até porque o PSDB está desarranjado enquanto partido.
Veja-se o caso de Minas. Aécio não governa com o partido no Estado. O PSDB tem ficado em segundo plano e seu governo é formado por uma base ampla de partidos. O próprio estilo de Aécio no Estado não é o de fortalecer o PSDB, mas de governar acima do partido.
É claro que o PSDB mineiro vai sair unido com Aécio, mas para que o governador mineiro seja vencedor nas prévias, vai ter que convencer os seus correligionários no Brasil inteiro de que é o melhor candidato. É uma pré-campanha à presidência, sem garantia de êxito.
Serra perde junto aos militantes por já ter sido candidato derrotado à Presidência. Vai sofrer com o discurso de que o PSDB precisa de sangue novo se quiser chegar à Presidência da República. Mas tem nas mãos o Estado mais forte da Nação e um forte apoio do empresariado paulista para conseguir obter a chancela do partido. Tem também pesquisas que o apontam como o candidato com maior performance para derrotar a candidata do PT, Dilma Roussef.
A briga vai ser dura e o PSDB pode até sair unido. Mas corre também o risco de esfrangalhar-se como aconteceu na eleição municipal em São Paulo, em que Serra jogou água nas pretensões de Alckmim para apoiar um candidato do DEM, o atual prefeito Gilberto Kassab.
A partir de agora, cada lance pode ser decisivo para um e para outro na briga para a disputa à vaga de Lula. E podem ter certeza, o jogo vai ser pesado, principalmente por parte do tucanato paulista.
A decisão do governador de São Paulo, José Serra, de aceitar a realização de prévias, é um sinal de que o quadro, mesmo internamente no PSDB, está totalmente indefinido. Até porque o PSDB está desarranjado enquanto partido.
Veja-se o caso de Minas. Aécio não governa com o partido no Estado. O PSDB tem ficado em segundo plano e seu governo é formado por uma base ampla de partidos. O próprio estilo de Aécio no Estado não é o de fortalecer o PSDB, mas de governar acima do partido.
É claro que o PSDB mineiro vai sair unido com Aécio, mas para que o governador mineiro seja vencedor nas prévias, vai ter que convencer os seus correligionários no Brasil inteiro de que é o melhor candidato. É uma pré-campanha à presidência, sem garantia de êxito.
Serra perde junto aos militantes por já ter sido candidato derrotado à Presidência. Vai sofrer com o discurso de que o PSDB precisa de sangue novo se quiser chegar à Presidência da República. Mas tem nas mãos o Estado mais forte da Nação e um forte apoio do empresariado paulista para conseguir obter a chancela do partido. Tem também pesquisas que o apontam como o candidato com maior performance para derrotar a candidata do PT, Dilma Roussef.
A briga vai ser dura e o PSDB pode até sair unido. Mas corre também o risco de esfrangalhar-se como aconteceu na eleição municipal em São Paulo, em que Serra jogou água nas pretensões de Alckmim para apoiar um candidato do DEM, o atual prefeito Gilberto Kassab.
A partir de agora, cada lance pode ser decisivo para um e para outro na briga para a disputa à vaga de Lula. E podem ter certeza, o jogo vai ser pesado, principalmente por parte do tucanato paulista.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
O mundo mudou, mister Brown
O primeiro ministro britânico Gordon Brown afirmou durante o foro de Davos, realizado recentemente, que o mundo caminha para uma era de ‘desglobalização’. Talvez seja difícil pra muita gente explicar o que os países mais ricos pensam sobre a globalização e os benefícios que ela gerou.
É certo que a globalização, ao que tudo indica, não favoreceu nenhum pouco os países ricos do G8, ao derrubar as fronteiras e trazer à tona debates frutíferos para a maioria dos países e com certeza infrutíferos para os ricos, como a quebra de barreiras comerciais e o fim do protecionismo de mercado.
A globalização abriu a economia dos países e fez com que o dinheiro não tivesse mais pátria. Ora o investidor jogava seus dólares e euros em economias de países emergentes atrás de taxas de juros mais convidativas, ora mantinha-se no conservadorismo de mercados mais cautelosos.
Sem dúvida alguma quem mais ganhou com esta nova onda foram os países em desenvolvimento, em especial a Índia, a China e o Brasil, entre outros. A globalização, ao contrário, levou vários países à bancarrota. Não é à toa que Estados Unidos, Inglaterra e França vivem uma crise sem precedentes desde 1929.
Gordon Brown talvez esteja pensando que ‘desglobalizar’ seja o caminho para que os países ricos retomem a sua hegemonia econômica tão combalida desde a crise que eclodiu no hemisfério norte.
Mas é tarde pensar que é possível retomar um caminho antigo que já não existe mais. Queiram ou não, estamos vivendo uma nova ordem econômica mundial. China, Índia e Brasil passam a ser respeitados como potências e o valor não apenas de seu potencial de consumo interno, mas de seu potencial de produção de tecnologia, hão de ser vistos pelo mundo com um outro olhar.
O mundo mudou, mister Brown, e agora não se imagina mais voltar atrás. Ou os países ricos se preparam ou vão ser engolidos pela nova ordem mundial.
O primeiro ministro britânico Gordon Brown afirmou durante o foro de Davos, realizado recentemente, que o mundo caminha para uma era de ‘desglobalização’. Talvez seja difícil pra muita gente explicar o que os países mais ricos pensam sobre a globalização e os benefícios que ela gerou.
É certo que a globalização, ao que tudo indica, não favoreceu nenhum pouco os países ricos do G8, ao derrubar as fronteiras e trazer à tona debates frutíferos para a maioria dos países e com certeza infrutíferos para os ricos, como a quebra de barreiras comerciais e o fim do protecionismo de mercado.
A globalização abriu a economia dos países e fez com que o dinheiro não tivesse mais pátria. Ora o investidor jogava seus dólares e euros em economias de países emergentes atrás de taxas de juros mais convidativas, ora mantinha-se no conservadorismo de mercados mais cautelosos.
Sem dúvida alguma quem mais ganhou com esta nova onda foram os países em desenvolvimento, em especial a Índia, a China e o Brasil, entre outros. A globalização, ao contrário, levou vários países à bancarrota. Não é à toa que Estados Unidos, Inglaterra e França vivem uma crise sem precedentes desde 1929.
Gordon Brown talvez esteja pensando que ‘desglobalizar’ seja o caminho para que os países ricos retomem a sua hegemonia econômica tão combalida desde a crise que eclodiu no hemisfério norte.
Mas é tarde pensar que é possível retomar um caminho antigo que já não existe mais. Queiram ou não, estamos vivendo uma nova ordem econômica mundial. China, Índia e Brasil passam a ser respeitados como potências e o valor não apenas de seu potencial de consumo interno, mas de seu potencial de produção de tecnologia, hão de ser vistos pelo mundo com um outro olhar.
O mundo mudou, mister Brown, e agora não se imagina mais voltar atrás. Ou os países ricos se preparam ou vão ser engolidos pela nova ordem mundial.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Paulistas querem atropelar
a candidatura de Aécio
Foi dada a largada para a sucessão presidencial com o lançamento oficioso da candidatura de Dilma Roussef, a dita mãe do PAC, para a sucessão do presidente Lula, que não esconde mais que já está em franca campanha para eleger seu sucessor.
No ninho tucano, ninguém mais acredita que os paulistas vão querer atropelar a candidatura de Aécio Neves. Esta semana o presidente Fernando Henrique Cardoso já mostrou que está diretamente envolvido para fazer de José Serra o candidato tucano. Disse que não concorda com as prévias – única possibilidade de Aécio sagrar-se candidato – e pediu que o partido antecipe a escolha do candidato.
Ao fazer isto, FHC sabe que favorece diretamente Serra, que tem uma imagem de candidato mais consolidada no âmbito nacional se compararmos com o nome de Aécio Neves. Mas é tudo maracutaia paulista e Serra joga ainda mais forte ao lançar um ambicioso projeto de obras que já deve ter despertado o olhar de empreiteiros e bancos que irão financiar a sua campanha.
Aécio está sendo engolido aos poucos pelos paulistas e, se não mover rápido suas peças neste emaranhado jogo de xadrez da política, vai ser derrotado antes mesmo de qualquer convenção ou prévia.
a candidatura de Aécio
Foi dada a largada para a sucessão presidencial com o lançamento oficioso da candidatura de Dilma Roussef, a dita mãe do PAC, para a sucessão do presidente Lula, que não esconde mais que já está em franca campanha para eleger seu sucessor.
No ninho tucano, ninguém mais acredita que os paulistas vão querer atropelar a candidatura de Aécio Neves. Esta semana o presidente Fernando Henrique Cardoso já mostrou que está diretamente envolvido para fazer de José Serra o candidato tucano. Disse que não concorda com as prévias – única possibilidade de Aécio sagrar-se candidato – e pediu que o partido antecipe a escolha do candidato.
Ao fazer isto, FHC sabe que favorece diretamente Serra, que tem uma imagem de candidato mais consolidada no âmbito nacional se compararmos com o nome de Aécio Neves. Mas é tudo maracutaia paulista e Serra joga ainda mais forte ao lançar um ambicioso projeto de obras que já deve ter despertado o olhar de empreiteiros e bancos que irão financiar a sua campanha.
Aécio está sendo engolido aos poucos pelos paulistas e, se não mover rápido suas peças neste emaranhado jogo de xadrez da política, vai ser derrotado antes mesmo de qualquer convenção ou prévia.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Obama e o desafio chamado Cuba
Sim nós podemos. Podemos esperar que os Estados Unidos adotem uma política altruísta com Cuba, que esteja acima das questões ideológicas que aindam persistem mesmo depois de tantos anos da queda do Muro de Berlim ou da extinção da União Soviética.
Obama tem uma obrigação com Guantânamo. Uma questão até mesmo moral e ética. Uma satisfação a dar à comunidade internacional. Mas será muito pouco apenas acabar com a prisão e com as torturas de prisioneiros na prisão norte-americana fincada a ferro e fogo no soberano território de Cuba.
Como me disse um amigo de Cuba, Tomás José Pepe Calderón Gastelúa, se Obama quiser credibilidade junto à opinião pública internacional tem que, antes de suspender o embargo econômico a Cuba, devolver Guantânamo aos cubanos. É isto que os cubanos esperam do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, cujas raízes coincidem com a da grande maioria dos cidadãos da ilha castrista.
Obama tem pela frente a oportunidade de mudar o mapa geopolítico mundial. Se tiver coragem e determinação, se não estiver amarrado aos poderosos interesses armamentistas e bélicos dos Estados Unidos, pode entrar para a história como um dos mais importantes presidentes norte-americanos de todo o mundo.
Mas tem que tomar cuidado, dizem os próprios cubanos. Para Pepe Calderón, não interesse à CIA o fim de Guantânano, muito menos do embargo. Mesmo com Fidel afastado do poder e com Raul ensaiando passos reformistas, os agentes norte-americanos ainda persistem em defender políticas impositivas em relação à ilha. Mas com o fiasco da invasão do Iraque perpetrada por Bush, dificilmente Obama vai aceitar que tudo continue como está. Mesmo sabendo que tem no caleidoscópio da história a sina e o exemplo de Kennedy.
Sim nós podemos. Podemos esperar que os Estados Unidos adotem uma política altruísta com Cuba, que esteja acima das questões ideológicas que aindam persistem mesmo depois de tantos anos da queda do Muro de Berlim ou da extinção da União Soviética.
Obama tem uma obrigação com Guantânamo. Uma questão até mesmo moral e ética. Uma satisfação a dar à comunidade internacional. Mas será muito pouco apenas acabar com a prisão e com as torturas de prisioneiros na prisão norte-americana fincada a ferro e fogo no soberano território de Cuba.
Como me disse um amigo de Cuba, Tomás José Pepe Calderón Gastelúa, se Obama quiser credibilidade junto à opinião pública internacional tem que, antes de suspender o embargo econômico a Cuba, devolver Guantânamo aos cubanos. É isto que os cubanos esperam do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, cujas raízes coincidem com a da grande maioria dos cidadãos da ilha castrista.
Obama tem pela frente a oportunidade de mudar o mapa geopolítico mundial. Se tiver coragem e determinação, se não estiver amarrado aos poderosos interesses armamentistas e bélicos dos Estados Unidos, pode entrar para a história como um dos mais importantes presidentes norte-americanos de todo o mundo.
Mas tem que tomar cuidado, dizem os próprios cubanos. Para Pepe Calderón, não interesse à CIA o fim de Guantânano, muito menos do embargo. Mesmo com Fidel afastado do poder e com Raul ensaiando passos reformistas, os agentes norte-americanos ainda persistem em defender políticas impositivas em relação à ilha. Mas com o fiasco da invasão do Iraque perpetrada por Bush, dificilmente Obama vai aceitar que tudo continue como está. Mesmo sabendo que tem no caleidoscópio da história a sina e o exemplo de Kennedy.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
OS TUCANOS SENTIRAM O GOLPE
A ascenção do PMDB e sua predisposição aparente de participar de um amplo projeto capitaneado pelo presidente Lula para fazer de Dilma Russef sua sucessora no Palácio do Planalto, tendo um vice peemedebista, assusta os tucanos.
O mais alto escalão do tucanato federal está em clara divisão, exposta pela eleição de José Anilbal para a liderança do partido na Câmara Federal. Serristas e aecistas já não escondem mais que estão jogando todas as cartas para consolidar seus candidatos.
Do lado do governador paulista o jogo é pesado e as práticas não vão ser nada sutis em relação a Aécio. Os serristas acusam o governador mineiro de ter antecipado o jogo e agora vão partir para o tudo ou nada para vingar mais uma vez o nome do tucano paulista.
Aécio, na verdade, perdeu uma grande chance de consolidar seu nome nacionalmente. Perdeu o 'time' quando não soube capitalizar a união com parte do PT de Fernando Pimentel que culminou com a eleição de Márcio Lacerda em Belo Horizonte.
Mas o certo é que a corrida sucessória para 2010 está aberta e as cartas estão sendo colocadas na mesa agora. E pelo visto o presidente Lula está dando mostras, mais uma vez, de maior competência política para mover as peças neste tabuleiro.
Resta aos tucanos tentar uma articulação nacional para unir o partido. Porque, a quem interessa a desunião entre Serra e Aécio. Ao PMDB, claro, que poderia ter no seu ninho o governador mineiro, quem sabe como candidato à sucessão presidencial.
A ascenção do PMDB e sua predisposição aparente de participar de um amplo projeto capitaneado pelo presidente Lula para fazer de Dilma Russef sua sucessora no Palácio do Planalto, tendo um vice peemedebista, assusta os tucanos.
O mais alto escalão do tucanato federal está em clara divisão, exposta pela eleição de José Anilbal para a liderança do partido na Câmara Federal. Serristas e aecistas já não escondem mais que estão jogando todas as cartas para consolidar seus candidatos.
Do lado do governador paulista o jogo é pesado e as práticas não vão ser nada sutis em relação a Aécio. Os serristas acusam o governador mineiro de ter antecipado o jogo e agora vão partir para o tudo ou nada para vingar mais uma vez o nome do tucano paulista.
Aécio, na verdade, perdeu uma grande chance de consolidar seu nome nacionalmente. Perdeu o 'time' quando não soube capitalizar a união com parte do PT de Fernando Pimentel que culminou com a eleição de Márcio Lacerda em Belo Horizonte.
Mas o certo é que a corrida sucessória para 2010 está aberta e as cartas estão sendo colocadas na mesa agora. E pelo visto o presidente Lula está dando mostras, mais uma vez, de maior competência política para mover as peças neste tabuleiro.
Resta aos tucanos tentar uma articulação nacional para unir o partido. Porque, a quem interessa a desunião entre Serra e Aécio. Ao PMDB, claro, que poderia ter no seu ninho o governador mineiro, quem sabe como candidato à sucessão presidencial.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
O PMDB de novo sob os holofotes
Não é à toa que política no Brasil se confunda com tudo o que não possa ser correto, nem seguir numa linha reta, nem ser previsível. Como diria Magalhães Pinto, política é como nuvem. Você olha e está de um jeito. Olha de novo e está de outro.
E assim tentam convencer a opinião pública de que, em política, tudo é possível. Como são possíveis todo tipo de nuvens.
A ascenção do PMDB no Congresso Nacional é uma destas tantas nuvens cinzentas que surgem na nossa política. Sarney se dizia não-candidato para que todos pensasem que ele não era candidato mas na verdade era. E assim traiu acordos que tinha firmado em nome de um entendimento que fez para que outros pensassem que ele os cumpriria. Passou por cima do senador Tião Vianna e retornou ao poder com toda a força. É o segundo homem agora da política brasileira. Depois do presidente Lula, é quem mais apita. E terá na Câmara um pseudoaliado, Michel Temer, eleito com tranquilidade para a presidência do Legislativo Federal.
O PMDB agora tem força inclusive para costurar uma candidatura própria à Presidência da República, com ou seu o apoio do presidente Lula. Vai ditar os rumos do Legislativo no Senado e na Câmara e isto não é pouco a pouco menos de dois anos das próximas eleições presidenciais. Será, sem dúvida, decisivo no processo.
Pode chegar mais perto de Dilma Roussef e indicar um vice para a queridinha de Lula (será que é mesmo?) ou quem saber iniciar um namoro ou noivado com Aécio Neves para fazer face à candidatura cada vez mais consolidada de José Serra pelo PMDB.
O PMDB só não pode cometer os erros do passado e tentar lançar outro Ulisses Guimarães para a Presidência. Mas o PMDB tem juízo e aprendeu a ser coadjuvante. Quer estar no poder, sempre às voltas com ministérios e sabe-se lá quantos cargos na República, mas se contenta com pouco (sic) para não ficar de fora do poder.
Quem sabe Lula está feliz com Sarney no Senado e Temer na Câmara porque sabe que os dois não conseguem emplacar um PMDB unido. Até porque nunca estiveram do mesmo lado no partido.
Vamos ver se o jogo se confirma. Mas o Brasil agora tem dois partidos fortes no domínio do processo político: o PMDB, claro, é o PT de Lula. Resta saber se o PSDB e o DEM vão conseguir uma engenharia política tão eficiente como a que a base governista está arquitetando tão bem, à custa de traições e outras manhas comuns da política.
E assim tentam convencer a opinião pública de que, em política, tudo é possível. Como são possíveis todo tipo de nuvens.
A ascenção do PMDB no Congresso Nacional é uma destas tantas nuvens cinzentas que surgem na nossa política. Sarney se dizia não-candidato para que todos pensasem que ele não era candidato mas na verdade era. E assim traiu acordos que tinha firmado em nome de um entendimento que fez para que outros pensassem que ele os cumpriria. Passou por cima do senador Tião Vianna e retornou ao poder com toda a força. É o segundo homem agora da política brasileira. Depois do presidente Lula, é quem mais apita. E terá na Câmara um pseudoaliado, Michel Temer, eleito com tranquilidade para a presidência do Legislativo Federal.
O PMDB agora tem força inclusive para costurar uma candidatura própria à Presidência da República, com ou seu o apoio do presidente Lula. Vai ditar os rumos do Legislativo no Senado e na Câmara e isto não é pouco a pouco menos de dois anos das próximas eleições presidenciais. Será, sem dúvida, decisivo no processo.
Pode chegar mais perto de Dilma Roussef e indicar um vice para a queridinha de Lula (será que é mesmo?) ou quem saber iniciar um namoro ou noivado com Aécio Neves para fazer face à candidatura cada vez mais consolidada de José Serra pelo PMDB.
O PMDB só não pode cometer os erros do passado e tentar lançar outro Ulisses Guimarães para a Presidência. Mas o PMDB tem juízo e aprendeu a ser coadjuvante. Quer estar no poder, sempre às voltas com ministérios e sabe-se lá quantos cargos na República, mas se contenta com pouco (sic) para não ficar de fora do poder.
Quem sabe Lula está feliz com Sarney no Senado e Temer na Câmara porque sabe que os dois não conseguem emplacar um PMDB unido. Até porque nunca estiveram do mesmo lado no partido.
Vamos ver se o jogo se confirma. Mas o Brasil agora tem dois partidos fortes no domínio do processo político: o PMDB, claro, é o PT de Lula. Resta saber se o PSDB e o DEM vão conseguir uma engenharia política tão eficiente como a que a base governista está arquitetando tão bem, à custa de traições e outras manhas comuns da política.
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